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quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

1993: a última vez de um time capixaba na elite do futebol brasileiro

Com Andrade no elenco, Desportiva Ferroviária respira pela última vez na Série A


Veterano Andrade era o grande nome grená em 1994
O ano de 1993 diz muito para o futebol capixaba. Afinal, foi lá, um ano antes de a Seleção Brasileira conquistar o tetracampeonato mundial, que um time do Espírito Santo disputou a elite do futebol brasileiro pela última vez. O representante capixaba na Série A do campeonato nacional era a Desportiva Ferroviária.


Mal das pernas no Capixabão daquele ano, sem ao menos se classificar para as semifinais, a Tiva garantiu vaga no Brasileiro por ficar entre as onze melhores equipes da Série B de 92.

Entre jogadores que mais tarde iriam virar figuras conhecidas no futebol capixaba como o goleiro Dirley e o zagueiro Arildo Peçanha, um nome se destacava: Andrade. O técnico do Flamengo na conquista do Brasileirão de 2009 era a grande atração da equipe grená.  O volante Andrade, então com 36 anos, já havia feito história com seus quatro títulos nacionais, Libertadores e Mundial pelo Rubro-negro carioca. Agora, Andrade tentava brilhar no Jardim e trazer experiência ao elenco, que possuía apenas um jogador com histórico em Brasileiro.

No banco, outra figura era destaque. Não era nenhum reserva, e sim o técnico Dudu, ex-meia do Palmeiras das décadas de 1960 e 1970.

Mas nem Andrade e nem o técnico Dudu conseguiram salvar a Desportiva da modesta campanha. Em 14 jogos, sete derrotas, seis empates e apenas uma vitória. No ano seguinte, a Desportiva fez uma excelente campanha na Série B, conquistando o terceiro lugar, mas insuficiente para voltar à elite nacional.

1993: o ano do último suspiro capixaba na elite do futebol brasileiro. 

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Memórias capixabas: Dé, o aranha capa-preta


No dia 2 de fevereiro de 1986, Domingos Elias Alves Pedra, o folclórico Dé Aranha, entrava no Kleber Andrade vestindo a camisa do Rio Branco para se despedir dos gramados. O amistoso contra a seleção da Costa do Marfim, que contou com a presença de Roberto Dinamite vestindo a camisa do Rio Branco, marcava o fim da grande trajetória do carioca nascido no município de Paraíba do Sul, que se tornou um dos grandes ídolos da história do Capa-preta. Dé, que já havia passado – e com sucesso – por Vasco, Botafogo e Bangu, se despedia do clube que jogou pela primeira vez em 1983. De lá até o dia que pisou no Kleber Andrade pela última vez como jogador, foram 79 partidas e 31 gols marcados com a camisa do alvinegro capixaba.

Convidado para jogar no Espírito Santo pelo então técnico do Rio Branco Vanderlei Luxemburgo, Dé Aranha estreou em um dia especial para o Capa-preta: a inauguração do Estádio Kleber Andrade, no dia 07 de setembro de 1983, pelo campeonato estadual, contra o Guarapari. O jogo ficou 3 a 2 para o Rio Branco. “Vim ficar três meses e fiquei três anos", conta Dé.

Quatro dias após a estreia, Dé marca seu primeiro gol com a camisa do Brancão. Na partida contra o Colatina – também no Kleber Andrade –, o Aranha faz o primeiro gol da vitória por 2 a 1. O Rio Branco foi campeão capixaba naquele ano.

Em 1984, Dé continuou a brilhar pelo Capa-preta, como naquele 4 de fevereiro, diante do Cruzeiro, no Mineirão, pela segunda rodada do Campeonato Brasileiro. Dé balançou a rede do Gigante da Pampulha duas vezes. Naquela partida, o Rio Branco venceu o Cruzeiro por 3 a 1 – o terceiro gol foi marcado por Arildo.


Em 1985, Dé Aranha comandou a equipe na conquista do estadual. Foi o artilheiro do time com 7 gols. Só contra o Vitória balançou a rede quatro vezes, não sem antes marcar contra o maior rival do alvinegro; A Desportiva Ferroviária.

A despedida

E lá se foram três anos... No dia 2 de fevereiro de 1986, estádio lotado para recepcionar e se despedir do craque, na primeira partida do Rio Branco no ano. Jogando ao lado do amigo, e ídolo cruzmaltino, Roberto Dinamite, e de outros companheiros como Vicente e China, Dé, aos 38 anos, marcou seu trigésimo primeiro e último gol com a camisa capa-preta. A partida ficou 4 a 3 para a seleção africana, mas nada que ofuscasse a estrela de Dé. A festa era dele.

O retorno do ídolo

O destino quis que Dé Aranha e Rio Branco se encontrassem duas décadas mais tarde. E o encontro aconteceu 24 anos depois de pendurar a chuteira - justamente o tempo que durou o jejum de títulos capa-preta. “Voltei movido pelo coração”, disse Dé Aranha ao chegar em Vitória em novembro de 2010 para comandar o Rio Branco no Capixabão. No jogo decisivo, contra o Vitória, o coração que trouxe o carioca de Paraíba do sul de volta ao Brancão quase não aguentou. Minutos antes do apito final, o apreensivo Dé teve que ser atendido na ambulância no Estádio Engenheiro Araripe. E no apagar das luzes, enquanto os jogadores comemoravam em campo e a torcida soltava o grito preso há 24 anos, Dé comemorou de dentro da ambulância e agradeceu a Deus. E toda torcida capa-preta agradeceu a Dé, o herói do título de 85 que voltou 24 anos depois para trazer a alegria ao time que aprendeu a amar.


“Eu cumpri a minha promessa. E só espero que o Rio Branco não fique de novo 25 anos sem ser campeão, porque se não, eu vou ter que sair nem que seja da sepultura para ver o Rio Branco ser campeão” Dé Aranha

Fotos: A Gazeta